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Colégio Honório Miranda Servindo a Comunidade Brusquense |
O principio da não intervenção e a condição de “espectador”:
Uma metáfora apropriada para entendermos os efeitos de meios de comunicação de massa como a TV.
Prof. Jean Carlos H. Miguel - Geografia
O papel do público diante do espetáculo é sempre passivo. Sua ação se resume a não-ação de sentar e assistir. Não interferir até o ato estar consumado para depois ser convidado a aplaudir. Não interferir é a regra implícita de todo espetáculo. Assistir é a tarefa de todo espectador.
O espectador esse ser tão inerte, de olhos arregalados e apreensivos. Sempre ávido a espera da próxima cena, a qual revelará o mistério da trama, arrancando-lhe lágrimas de emoção intensa, pois é quando seu herói surge glorioso cheio da força e da coragem que lhe faltam. O herói é um ser fascinante. Nada o abala nada pode lhe surpreender. É a mais perfeita forma de ser humano. Coragem, astúcia, força acompanhada de um senso irredutível de justiça. Ele é realmente tudo aquilo que o espectador nunca vai ser, pois tem poder e luta segundo sua vontade.
O espectador deslumbrado com a performance, não consegue se dar conta daquilo que lhe aparece como evidência e explica sua relação de adoração ao herói. O herói não é um herói por ser uma divindade ou um ser extraterreno, ele só o é por que o espectador não pode ser aquilo que admira. Essa relação de reverencia e de edificação do herói deve ser cultiva como condição necessária para que o espetáculo possa continuar.
A condição do espectador é das piores. Ele sempre está condicionado a viver a vida emprestada e se contentar com isso. Ele talvez possa imitar os gestos ou decorar as palavras do seu ídolo, mas estranhamente isso sempre vai estar vazio de significado. Devaneios que lhe são fascinantes podem ajudar a esquecer o fraco desejo que ainda existe dentro de si e que a condição de não intervir, não agir condena a morte. Ele em tal situação de alheamento e contemplação não pode se considerar um “ser vivo”. Viver é acumular experiência e infelizmente se ele se questionar a esse respeito, vai concluir cedo ou tarde que suas memórias falam sempre sobre a vida dos outros, pois nunca agiu sob sua vontade. Essa coisa morta, sem desejo, sem vontade, suscetível de manobra que se apresenta como um misto de covardia e mesquinhez é o espectador e sua postura imprescindível para que o espetáculo ganhe sentido.
O espetáculo é a organização da fantasia meticulosamente estudada em seus efeitos. Fantasiar é uma tarefa que exige empenho para que a ilusão se confunda perfeitamente com o real. Em busca de um simulacro perfeito é válido utilizar-se de recortes do que é real e valer-se da história como pano de fundo. Evocar os tempos da revolução tão longínquos para vislumbrar o nosso tempo, da “liberdade e do direito”, assim como introduzir o amor para dar sentido a tragédia. Isso tudo deve se unir e retirar-se a uma dimensão de sonho atrativa possibilitando a contemplação dócil do espectador convidado a esquecer e resignar-se a sua condição miserável. Organizar a ignorância do que acontece na realidade do espectador é a finalidade do espetáculo e manobrar sentimentos e emoções faz parte dessa ação. O espetáculo assim é a celebração da completa transformação do espectador em alguma coisa sem qualquer posse dos momentos de sua atividade.
Interferir no espetáculo é pretender destruí-lo. Interrompendo o ato estragando a performance, rasgando os papéis, queimando o cenário; não há meio termo. Os espectadores se levantam subitamente assustados, como quem desperta de um sono profundo. Assistir não é mais possível. Não intervir era a regra e ela foi quebrada. Aboliu-se a condição de espectador e com isso ouve o desmoronamento do que se costumava chamar espetáculo.
Neoliberalismo e Social democracia:
Noções sobre estes dois modelos políticos.
Prof. Jean Carlos H. Miguel - Geografia
Para estabelecer um quadro que exponha as principais diferenças entre o modelo político do Neoliberalismo e o da Social Democracia, precisamos partir de uma compreensão do contexto histórico, político e econômico em que surgem estes modelos.
O Neoliberalismo é um plano muito antigo das elites que começa a ser posto em prática a partir da década de 1970. Momento em que as bases do capitalismo ocidental, assim como o modo de produção Fordista, entram em crise. Alguns eventos históricos que caracterizam este período são: a crise do petróleo em 1973, o fim da Guerra do Vietnã e o inicio da crise interna do modelo socialista soviético. Tendo em vista elevar o crescimento da taxa de lucro e dar um novo impulso ao sistema, o Neoliberalismo surge como uma alternativa eficaz para as elites. Com o plano de “secar” a máquina do Estado (reduzindo gastos com políticas públicas, flexibilização das leis trabalhistas, redução da carga tributária) o Neoliberalismo pretende reconstruir as condições favoráveis de acumulação do capital. Evidentemente, esse modelo gera perdas sociais que se revertem em problemas econômicos de maior escala[1].
A Social Democracia historicamente é anterior ao Neoliberalismo. Em termos gerais, ela é um produto do pós-guerra. Com o início da Guerra Fria e a Bipolaridade (1945) surge a condição social e econômica para a construção do Estado de bem-estar social nos EUA e na Europa. A burguesia destes países sentindo a pressão das camadas populares e a constante ameaça do Socialismo Soviético decide por assim dizer “dar os anéis para não perder os dedos”[2]. Em outras palavras, a burguesia promoveu um acordo com o Estado para manter condições dignas para a população através da geração de empregos, investimento em educação, saúde, moradia, gerando o acesso a linhas de crédito para pequenos e médios produtores, auxiliando o trabalhador do campo e de maneira geral criando uma ampla seguridade social. Dessa forma, ao longo do Século XX, criou uma sociedade civil forte, instruída e democrática que reconstrói estas condições dia a dia através do exercício consciente de sua responsabilidade enquanto cidadão[3].
Percebesse claramente entre estes dois modelos uma maior intervenção do Estado (Social Democracia) e uma menor intervenção do Estado (Neoliberalismo) na economia. O argumento central dos neoliberais é que o Estado não deve regular a economia, deixando esta tarefa ao mercado que através de suas próprias leis consegue equilibrar o sistema econômico. Historicamente é provado que esta hipótese gerou duas grandes crises no país que mais defendeu o Neoliberalismo no século XX, os EUA. A quebra da bolsa de Nova York em 1929 e a atual crise imobiliária norte americana ocorreram devido a ausência do Estado na regulação da economia permitindo que a especulação financeira destruísse o sistema de crédito e as bolsas de valores. Atualmente as medidas contra a crise propostas pelo presidente Barack Obama vem contra essa não intervenção do Estado na economia. Obama pretende restituir as bases do Estado de bem-estar social investindo recursos públicos em setores estratégicos da economia na tentativa de harmonizar o mercado e as políticas econômicas do Estado norte americano.
Tendo em vista este panorama histórico, podemos concluir que o Neoliberalismo como modelo político não pretende construir uma nação democrática de direito, pois não se compromete com os desejos e as necessidades básicas de um povo; pretende apenas criar condições urgentes de acumulação de capital para as elites[4]. Já a Social Democracia, modelo de Estados privilegiados, manteve a preocupação com a construção da cidadania e da dignidade do povo como condição primeira para manter coesa a sociedade e em equilíbrio os diversos setores da economia.
[1] O desmonte do Estado promovido por este modelo (agora falando particularmente do Brasil) nos 8 anos do governo FHC atrasou a rota de desenvolvimento do país, pois privatizou setores estratégicos da economia e desestimulou programas sociais. Dessa forma, criou o desequilíbrio da relação entre a sociedade civil e o Estado no país. FHC privatizou a empresa Vale do Rio Doce (segunda maior empresa nacional na atualidade com rendimento inferior apenas ao da estatal Petrobras) e todo o sistema de telefonia entre outros setores da economia.
[2] Somado a isso, o período pós-1945 marca um entendimento pró-Estado, pró-regulamentação do mercado. Até porque o capitalismo liberal não dava respostas a crise econômica ainda em curso e havia produzido duas grandes guerras.
[3] Temos como exemplos máximos desse modelo político países europeus como: a Noruega, Suécia, Finlândia. Na América, atualmente, apenas o Canadá pode ser considerado um Estado de bem-estar social. Os EUA, devido a crescente especulação financeira em sua economia vem destruindo suas bases sociais gerando marginalidade e condições de vida semelhantes a dos países subdesenvolvidos.
[4] Talvez esta seja uma visão um pouco restritiva. O Neoliberalismo é um projeto de sociedade que vê o Estado como um poder autoritário, limitador das liberdades, obstáculo do desenvolvimento econômico.